Fui vítima do Ficha limpa e da perseguição política

Ao saber do resultado do julgamento do STF, no último dia 23, sobre a validade da Lei Complementar 135/2010, popularizada como Ficha limpa, que o reabilita politicamente, o ex-prefeito Celso Jacob desabafou a amigos: “Fui vítima do Ficha Limpa”. O desabafo tem uma explicação: é que ao fim das eleições de outubro do ano passado, quando concorreu a uma cadeira de deputado federal, Celso Jacob viveu durante cinco meses um verdadeiro calvário público. Além de ter a suplência conquistada pelos mais de 30 mil votos obtidos barrada pela justiça eleitoral, o ex-prefeito de Três Rios, que durante toda a campanha liderou as pesquisas de intenção de votos na região, sofreu com o pré julgamento lançado aos quatro ventos pelos seus opositores políticos. Mais que o desabafo, Celso Jacob disse que chegou o momento de fazer a sua defesa pública. “A verdade sempre vem à tona. Agora o povo vai saber que em política as atitudes sempre têm uma motivação. O que vivi serviu a interesses políticos de pessoas que não pensaram na cidade, apenas nos seus propósitos”. Além das artimanhas políticas, que nitidamente o impediram de receber uma quantidade de votos superior aos obtidos oficialmente e que lhe garantiriam acesso direto à Câmara Federal, Celso Jacob entende que a própria justiça eleitoral contribui para o problema por conta de sua morosidade e negligência. “Para que não restem dúvidas, e o eleitor não seja enganado, por que a justiça não julga de maneira urgente os casos de todos os políticos que estejam respondendo a processo?”, sugere.

Celso Jacob pode assumir cadeira de deputado federal

Com o direito de ter os 31.200 votos obtidos nas urnas validados pela decisão do STF, Celso Jacob tem tudo para assumir uma cadeira de deputado pelo PMDB. É que com a mudança provocada na bancada do Rio de Janeiro, o Governador Sérgio Cabral pode convocar um dos deputados eleitos pelo partido para secretário de Estado, o que abriria uma vaga na Câmara Federal para o ex-prefeito de Três Rios. Mesmo ciente dessa realidade, Jacob entende que o seu patrimônio político é muito mais importante que um cargo.

 

Até ministro do STF não vê crime no caso de Celso Jacob

 

“A decisão do STF veio fazer justiça. Temos que acabar com a hipocrisia neste país. O povo deve entender uma coisa. Qualquer lei que barre o acesso político a pessoas criminosas, corruptas sempre será bem vinda. O que não pode acontecer é injustiça. Sei que o processo que me reabilitou vai acabar favorecendo notórios corruptos conhecidos de todos, mas mais grave é um político que responde a um processo que não significa nenhum crime de gravidade ser colocado no mesmo balaio de gatos. Eu tenho uma vida pública limpa e um projeto político conhecido por todos. E para que não reste dúvida, em 2012, quando a lei terá validade, serei um defensor ferrenho para barrar homem público desonesto”.  A opinião do ex-prefeito tem respaldo do novo ministro do Superior Tribunal Federal, Luiz Fux, que entende haver exagero na interpretação de casos como o de Celso Jacob. “Devem ser realizadas (interpretação da lei) com ponderação, tendo em vista a gravidade das sanções e restrições impostas ao agente público”.

Situação da Prefeitura de Três Rios exigia urgência

 

A morosidade e a falta de critério da Justiça, segundo Celso Jacob, gera muita contradição, o que dá um nó na cabeça do eleitor, que não entende por que o mesmo processo impede uns e não outros. No Rio de janeiro, somente Celso Jacob, Darley Braga (PMDB) e Arnaldo Viana (PDT) tiveram os direitos políticos barrados. Todos os outros políticos não sofreram impedimento, incluindo aí os que notoriamente roubaram, desviaram dinheiro dos cofres públicos e formaram quadrilha, segundo própria Justiça.

“Sofri muito nesse período. O que mais dói é ver a desinformação reinar. Por ser conhecida como Lei da Ficha Limpa, as pessoas ignoraram o processo que eu respondia e me tacharam como um ficha-suja,  um fora da lei”, desabafa, para explicar o que causou o seu processo:

“No início do meu governo, eu contratei uma empresa de sistema de informática, a preço de mercado, para fazer a máquina de uma prefeitura praticamente quebrada quando assumi funcionar. Além da urgência que o caso exigia, porque sem sistema tesouraria, pagamento, protocolo, tudo isso fica parado, a empresa, que já prestava bons serviços em outros municípios, foi contratada por conta do parecer e autorização da Procuradoria e Controladoria do município”, explica.  A empresa, diz Celso Jacob, cumpriu o seu trabalho e a prefeitura de Três Rios pagou por estes serviços que trouxeram benefícios e agilidade ao poder público.

 

Opositores motivaram o Ministério Público

“Anos depois, motivado por opositores maldosos, o Ministério Público entendeu que eu havia cometido um erro e me processou. O problema é que no mesmo período em que sofri o processo, o TSE absolveu o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, acusado de contratar sem licitação empresa de informática na época em que foi prefeito de Ribeirão Preto, sob o custo de milhões de reais; o STJ inocentou o ex-prefeito de Campos do Jordão, João Paulo Ismael, por também contratar empresa sem abrir licitação e o Tribunal de Contas da União, que investiga o Ministério dos Esportes por contratar, sem licitação, empresa de comunicação social, contraditoriamente contratou, também sem licitação, a mesma empresa, segundo denúncia da revista Época. Isso é fato, mas é o Celso Jacob de Três Rios quem paga o pato?”, questiona.

 

Político conhecido fez campanha suja contra Celso Jacob

 

Celso Jacob sabe de onde vem a campanha contra o seu nome. “Fui vítima de um esquema montado por um político conhecido nacionalmente, que já governou o estado. Movido por um sentimento menor, irracional, esse político chegou ao ponto de sair da capital para se dirigir a Três Rios com uma campanha sórdida de distribuição de panfletos e horas de caminhão de som, em todos os bairros, com o único intuito de me atingir. Para levar a cabo sua vingança, esse político se aliou a alguns opositores na cidade, inclusive concorrente seu, e destilou o seu rancor, sujando as ruas da cidade”, revela.

E tudo isso tem um motivo, segundo Celso Jacob: “O meu projeto político e o sucesso conquistado incomodam. Há interesse em que eu não me eleja, que não avance na política. Em oito anos, contrariei muitas pessoas. Tirei Três Rios do atraso econômico, revolucionei com o ensino superior, a revitalização industrial, modernizei o sistema de Saúde do município com os Postos da Saúde da Família (PSF) em todos os bairros de Três Rios, inclusive com o trabalho notável de qualificação profissional e ensino superior aos funcionários, um trabalho de significativa mudança social, dando oportunidade a quem nunca teve, além da construção de novas escolas e reforma de todas as outras, decididamente isso  incomodou alguns. É um misto de inveja e ódio. O problema é que ao me atingir, prejudicou uma cidade, uma região. O meu projeto político não é do Celso Jacob, é de interesse público, de alcance social. Mas ser tachado como ficha-suja, depois de dedicar a minha vida política aos ideais da educação e da justiça social isso me machucou muito. Mas agora ressurgimos ainda mais fortalecidos”, diz, para finalizar: “Minha esperança de assumir uma vaga de deputado federal, sonho quase impossível àquela altura, devida à sórdida campanha de perseguição movida contra mim na região, nunca morreu, porque mantive a fé e a certeza de que Deus não permitiria que a humilhação continuasse por muito tempo. O certo é que nem o mais otimista dos aliados poderia acreditar que eu conseguiria reverter essa situação, mas eu nunca perdi a esperança, a mesma que me renova o ânimo para continuar os meus projetos”.

 

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2 Respostas to “Fui vítima do Ficha limpa e da perseguição política”

  1. gudusiervi Says:

    SEMPRE SOUBEMOS DE SUA HONESTIDADE AMIGO!

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